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Discrição

Em Portugal o trabalho das agências de comunicação no campo político só recentemente chegou ao escaparate do espaço mediático, e nem sempre pelas boas razões. O livro de Manuel Maria Carrilho expôs alguns dos piores momentos do trabalho de conselho em comunicação nos meios políticos. Apesar de conter inverdades, imprecisões e fazer parte de um plano de vingança, Carrilho teve a virtude de trazer para o espaço público a discussão sobre a influência dos profissionais de comunicação na vida política portuguesa.

A profissionalização na comunicação política reveste-se de extrema importância para a qualidade da nossa democracia. Uma comunicação política de qualidade e sustentada é um garante que os nossos políticos conseguirão gerir melhor a “coisa pública”. Por isso fiquei satisfeito que o novo líder do PSD tenha recorrido ao trabalho de profissionais, neste caso, a Cunha e Vaz, para agenciar a comunicação do partido. Defendo intransigentemente que devem ser os profissionais a reger este aspecto importante da vida dos partidos. Luís Filipe Menezes deu um passo em frente.

Um dos aspectos que os assessores de comunicação devem certificar-se é que o seu trabalho é discreto e imaculado de polémicas. Deve ser na sombra que estes profissionais devem agir. Não por questões de segredo, mas porque quem deve ser promovido são os clientes. Ao contrário dos Estados Unidos, na nossa cultura mediática, os assessores de comunicação não têm lugar nos programas de televisão ou nas notícias. Eu talvez prefira o sistema americano, onde podemos conhecer de viva voz as opiniões dos que delineiam a estratégia por trás dos candidatos.

Mas a reserva e a discrição é uma componente essencial para o trabalho destes profissionais em Portugal. Por isso tenho algumas dúvidas se o PSD e a Cunha Vaz estão a conduzir este processo da melhor maneira. São várias as notícias, nem sempre neutras ou positivas, sobre esta relação simbiótica entre Cunha Vaz e o PSD. Esta notícia de hoje no Expresso é mais um sintoma disto mesmo, onde é revelado um mal-estar entre Santana Lopes e Ribau Esteves sobre o papel da Cunha Vaz na Assembleia da República. Nem sempre é possível impedir que este tipo de notícias seja publicado na imprensa. É um sinal que o trabalho da agência tem resistências internas. O que poderá prejudicar a eficácia do trabalho dos assessores de comunicação.

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