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A dignidade do emprego

Partindo da curta reflexão que LPM faz no seu blogue sobre os estagiários na LPM, gostava de escrever sobre esta matéria.

Falando concretamente da área da comunicação, todos temos conhecimento do abuso que algumas Agências de Comunicação, de Publicidade e os próprios jornais cometem sobre os estagiários. Felizmente, ou infelizmente, nunca estagiei desta forma, e o contacto profissional que tive com uma agência de comunicação foi demasiado muito curto para poder opinar de forma rigorosa e com conhecimento de causa. Mas o que posso testemunhar é a exploração que colegas e amigos já sofreram às mãos destes “opressores” dos tempos modernos. Aproveitando-se da falta de vagas no mercado de trabalho, e do longo número de desempregados licenciados na área de comunicação, beneficiam de mão-de-obra grátis.

Vou dar um exemplo de um caso relativamente próximo que conheço, e que demonstra a falta de escrúpulos de alguns empresários neste mercado. Uma Agência de Comunicação, do Porto, recruta estagiários para trabalharem durante seis meses de forma gratuita. Implícito no acordo verbal é a possibilidade de realização de estágio profissional findo o período de gratuidade. Se trabalhar durante seis meses, após ter terminado o curso, sem receber sequer subsídio de alimentação e transporte, já é mau de mais, o que se passa a seguir é ainda mais grave. À esmagadora maioria dos contemplados, é-lhes dito que não irão fazer o almejado estágio profissional. Os poucos a que lhes é oferecido o dito estágio, são informados que para o realizarem, terão que “oferecer” parte do salário à entidade empregadora. Ou seja, o estagiário deveria auferir cerca de 900 euros, pagos em parte pela entidade empregadora e cerca de 60% pelo IEFP. Mas parte que deveria ser paga pela Agência ficará retida.

Este “modus operandi” passa-se numa agência de comunicação, mas também poderia passar-se noutra empresa de outro sector.

As empresas de comunicação deveriam dar o exemplo. Uma gestão de boas práticas empresariais também passa pela forma como são tratados os recursos humanos. Ter estagiários a não receber é errado e deve ser evitado. Explorar, como o caso que referi atrás, é ilegal. O sector da comunicação, que tantas vezes denuncia os maus exemplos da sociedade, deveria agir de forma diferente. A cultura da exigência também passa pela retribuição justa. O pagamento de subsídios de alimentação e e transporte é o mínimo que se pode exigir. Para bem do sucesso empresarial. Infelizmente, nem sempre é assim. Restam os bons exemplos. Como felizmente existem.

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