As lições do caso do Porto
4 Comments Published by Nuno Gouveia on segunda-feira, dezembro 17, 2007 at 14:50.Pinto Monteiro colocou em evidência as fragilidades do sistema de investigação em Portugal. Depois de vários meses de inacção policial, que culminaram com a morte de vários seguranças e outras "personalidades" da noite do Porto, o sr. Procurador decidiu manifestar a sua desconfiança pela equipa de investigação do Porto, e nomeou uma equipa de Lisboa. Passados apenas três dias, a mesma equipa que parecia ter perdido a confiança política do Procurador desencadeou uma operação policial e prendeu vários dos implicados nos crimes do Porto.
Nesta história, ninguém parece ficar bem na fotografia, mas confirmam-se ideias que vinham de trás. Este Procurador é pressionável pela opinião pública. E há muitos policias no Porto com relações dúbias com as "gentes" da noite.
Nesta história, ninguém parece ficar bem na fotografia, mas confirmam-se ideias que vinham de trás. Este Procurador é pressionável pela opinião pública. E há muitos policias no Porto com relações dúbias com as "gentes" da noite.
Etiquetas: investigação criminal
Máfias Portuenses II
1 Comments Published by Nuno Gouveia on quinta-feira, dezembro 13, 2007 at 16:46.José Pacheco Pereira referiu ontem na Quadratura do Circulo a proximidade das claques do Porto com a onda recente de criminalidade que tem afectado o Porto. Os sectores mais "portuenses" reagiram com veemência, desclassificando as declarações de JPP. Hoje, o JN logo tratou de colocar JPP com sinal negativo, por ter misturado as claques do FC do Porto com os gangs criminosos. Todos temos lido nos jornais que membros da claque do Porto relacionam-se com alguns dos implicados neste caso. O que obviamente não prova nada. Mas as claques de futebol, e não apenas as do Porto, estão normalmente envolvidas em fenómenos de violência, de tráfico de droga e de delinquência. Não percebo a reacção das virgens ofendidas pela implicação. Será que eles consideram que as claques de futebol não são capazes de se misturaram com os criminosos?
Entretanto, o Procurador Geral da República desclassificou os investigadores do Porto, nomeando para este caso uma equipa especial de Lisboa. É um péssimo sinal. Será que a investigação criminal do Porto não tem independência e credibilidade para actuar em casos de proximidade? É uma dúvida que fica no ar...
Entretanto, o Procurador Geral da República desclassificou os investigadores do Porto, nomeando para este caso uma equipa especial de Lisboa. É um péssimo sinal. Será que a investigação criminal do Porto não tem independência e credibilidade para actuar em casos de proximidade? É uma dúvida que fica no ar...
Etiquetas: investigação criminal, justiça, poder de Lisboa
O Porto, cidade onde costumo sair à noite, está a ser o local de uma batalha “mortífera” entre gangs rivais. Ao contrário do que o Sr. director nacional da PJ parece acreditar, a mortandade não parece abrandar. Leio nos jornais que os seguranças e os donos das discotecas lutam para ganhar controlo das actividades noctívagas. No caminho, têm morrido algumas pessoas.Com seis mortes nos últimos tempos, parece que estamos a assistir a uma verdadeira guerra entre clãs, igual àquelas que me causaram grande impressão em filmes como a saga do Padrinho ou os Intocáveis. Mas o Porto não é Chicago dos anos 30 ou a Nova Iorque das máfias Italo-Americanas. O Porto é uma cidade pacífica, onde a criminalidade não é determinante numa descrição fidedigna e real da sua essência. E claro, os cérebros destes criminosos em nada se comparam aos gangsters americanos. Quem já trocou algumas palavras com seguranças nocturnos saberá do que estou a falar.
Numa conversa sobre o Porto, normalmente são referidos nomes, temas ou assuntos como o rio Douro, a Ribeira, o empreendorismo dos seus empresários, o sotaque portuense, o bairrismo, as festas de S. João, as tripas à moda do porto, enfim, uma série de características positivas ou negativas, mas nunca do seu alto índice de criminalidade violenta.
Este bando de criminosos, que agora se entretém a matarem-se uns aos outros, poderá estar a contribuir para a degradação da qualidade de vida na cidade. Um ambiente nocturno festivo e divertido faz parte de uma cidade cosmopolita e moderna. Mas, se a carnificina continuar, muita gente poderá ficar com receio de frequentar certos espaços.
Infelizmente, nem sempre quem controla as casas nocturnas são gente de “boa casta”. As forças policiais, que nunca quiseram enfrentar os gangs criminosos e que dominam há vários anos alguns sectores da noite portuense, encontram-se manietadas e sem capacidade de resposta perante esta escalada de violência.
O governo, e o poder central, olham de longe para a cidade do Porto, como se estivessem a assistir a um filme longínquo. Afinal, isto é uma guerra nortenha. Quando começarem a “tombar” clientes dos bares e discotecas, quero ver como o governo vai reagir. Os agentes de autoridade já tiveram muitos meses para parar com esta guerra. Em várias conversas de café que vou tendo, toda a gente parece saber quem é que está por trás destas guerras. Qual a razão da inacção policial?
* a foto utilizada foi retirada do site http://circuitos.cityrama.pt
Numa conversa sobre o Porto, normalmente são referidos nomes, temas ou assuntos como o rio Douro, a Ribeira, o empreendorismo dos seus empresários, o sotaque portuense, o bairrismo, as festas de S. João, as tripas à moda do porto, enfim, uma série de características positivas ou negativas, mas nunca do seu alto índice de criminalidade violenta.
Este bando de criminosos, que agora se entretém a matarem-se uns aos outros, poderá estar a contribuir para a degradação da qualidade de vida na cidade. Um ambiente nocturno festivo e divertido faz parte de uma cidade cosmopolita e moderna. Mas, se a carnificina continuar, muita gente poderá ficar com receio de frequentar certos espaços.
Infelizmente, nem sempre quem controla as casas nocturnas são gente de “boa casta”. As forças policiais, que nunca quiseram enfrentar os gangs criminosos e que dominam há vários anos alguns sectores da noite portuense, encontram-se manietadas e sem capacidade de resposta perante esta escalada de violência.
O governo, e o poder central, olham de longe para a cidade do Porto, como se estivessem a assistir a um filme longínquo. Afinal, isto é uma guerra nortenha. Quando começarem a “tombar” clientes dos bares e discotecas, quero ver como o governo vai reagir. Os agentes de autoridade já tiveram muitos meses para parar com esta guerra. Em várias conversas de café que vou tendo, toda a gente parece saber quem é que está por trás destas guerras. Qual a razão da inacção policial?
* a foto utilizada foi retirada do site http://circuitos.cityrama.pt
Etiquetas: criminosos na rua, investigação criminal, máfia, Porto
O espaço mediático nos últimos meses tem sido dominado pela atenção dada ao caso da jovem inglesa que supostamente terá sido raptada no Algarve. Nunca, Portugal ou até o mundo, tinha observado tamanha ofensiva mediática relacionada com o rapto de uma menina. Infelizmente, casos destes acontecem aos milhares, e nunca conseguem obter por parte dos meios de comunicação social, e por arrasto da sociedade, um tão dedicado tempo de antena.
Desde o inicio percebemos que era a capacidade de interacção com os media da família Mccan que possibilitava esta tão grande cobertura. Aliado ao seu poder económico para utilizar meios quase ilimitados, sempre tiveram boas relações institucionais em Inglaterra, tendo chegado mesmo a mobilizar Gordon Brown para esta luta. A cara bonita da jovem Maddie proporcionava os jornais e televisões excelentes momentos fotogénicos, que aliando uma bem montada estratégia de relações públicas, conseguiram obter para a família Mccan a simpatia da opinião pública mundial.
As investigações da Policia Judiciária foram enroladas neste processo todo, e durante um tempo, escusaram-se de investigar outra possibilidade que não o rapto da menina. Se as noticias que a comunicação social anda a divulgar confirmarem-se como verdadeiras, estaremos perante um dos maiores logros da história mediática. Será preciso esperar e ver o que acontece com o rumo das investigações. Neste momento, apenas paira no ar o sentimento de decepção pelo rumo dos acontecimentos.
Desde o inicio percebemos que era a capacidade de interacção com os media da família Mccan que possibilitava esta tão grande cobertura. Aliado ao seu poder económico para utilizar meios quase ilimitados, sempre tiveram boas relações institucionais em Inglaterra, tendo chegado mesmo a mobilizar Gordon Brown para esta luta. A cara bonita da jovem Maddie proporcionava os jornais e televisões excelentes momentos fotogénicos, que aliando uma bem montada estratégia de relações públicas, conseguiram obter para a família Mccan a simpatia da opinião pública mundial.
As investigações da Policia Judiciária foram enroladas neste processo todo, e durante um tempo, escusaram-se de investigar outra possibilidade que não o rapto da menina. Se as noticias que a comunicação social anda a divulgar confirmarem-se como verdadeiras, estaremos perante um dos maiores logros da história mediática. Será preciso esperar e ver o que acontece com o rumo das investigações. Neste momento, apenas paira no ar o sentimento de decepção pelo rumo dos acontecimentos.
Etiquetas: investigação criminal, media
